Justiça determina internação de adolescentes que torturaram colega em escola de MT

Decisão foi proferida após a conclusão do inquérito que apontou práticas semelhantes às de uma organização criminosa entre as estudantes.


Por Rota Araguaia em 06/08/2025 às 08:59 hs

Justiça determina internação de adolescentes que torturaram colega em escola de MT
Reprodução

Redação

A Justiça determinou a internação provisória de três adolescentes envolvidas na tortura de uma aluna de 12 anos dentro da Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia, a cerca de 415 km de Cuiabá. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (6), após a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil.

Segundo as investigações, as adolescentes serão encaminhadas para uma unidade do sistema socioeducativo em Cuiabá, onde deverão cumprir a medida determinada pela 1ª Vara da cidade. Mandados de busca e apreensão também foram expedidos e cumpridos pela polícia.

Embora quatro alunas estejam diretamente envolvidas nas agressões, apenas três foram apreendidas. Uma das adolescentes tinha 11 anos na época da violência, idade que, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não permite a aplicação de medida socioeducativa de internação.

De acordo com o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, o grupo agia dentro da escola com uma estrutura inspirada em facções criminosas, promovendo punições físicas contra outras alunas. As adolescentes, com idades entre 11 e 14 anos, mantinham esse padrão de violência como uma espécie de "regra" imposta às demais colegas.

Durante a investigação, cerca de dez pessoas foram ouvidas, incluindo a direção da escola, familiares, a vítima e as próprias agressoras. Em depoimento, elas confessaram o crime e revelaram que outras quatro estudantes também foram vítimas de agressões semelhantes.

A Polícia Civil concluiu o inquérito sugerindo ao Ministério Público a internação das envolvidas pelos atos infracionais análogos aos crimes de tortura e integração a organização criminosa, conforme previsto no ECA.

 

O caso teve grande repercussão após vídeos das agressões circularem nas redes sociais. As imagens mostravam a vítima ajoelhada, sendo agredida com socos, chutes e até golpes com o cabo de uma vassoura.



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